O sul-africano Patrice Motsepe, único candidato em disputa e com o apoio da Fifa, foi eleito presidente da Confederação Africana de Futebol (CAF), sem necessidade de votação, nesta sexta-feira durante a 43ª assembleia geral da instituição, realizada em Rabat, no Marrocos.
Sem discussão. Com um terno azul, o empresário se levantou, baixou a máscara e cumprimentou a todos.
"Como há apenas um candidato, ele é eleito por aclamação", disse o Secretário-Geral da CAF, Abdelmounaïm Bah.
- Entre os mais ricos do continente -
"É uma honra imensa para mim", disse o empresário de 59 anos, celebrando "a unidade da organização" após ser proclamado presidente. "Nos desafios que o futebol africano enfrenta, vou me apoiar na sabedoria coletiva", acrescentou.
O presidente do clube sul-africano Mamelodi Sundowns sucede o malgaxe Ahmad Ahmad, que foi afastado do cargo em 2019, antes do final de seu mandato, devido a várias violações éticas, incluindo "distribuição de presentes" e "apropriação indevida de fundos".
Décima maior fortuna da África e um dos três sul-africanos mais ricos, com um patrimônio líquido estimado em quase 3 bilhões de dólares, de acordo com a revista americana Forbes, Motsepe é um 'self-made man' que foi bem sucedido na indústria de mineração e nas finanças.
Motsepe não era favorito contra seus três concorrentes na corrida presidencial, Jacques Anouma, da Costa do Marfim, Augustin Senghor, do Senegal, e Ahmed Yahya, das Ilhas Maurício, todos presidentes ou ex-presidentes de federações.
Mas os três retiraram a candidatura com o compromisso de ocupar cargos importantes na futura diretoria de Motsepe. Eles serão respectivamente primeiro, segundo vice-presidente e conselheiro do presidente.
"Todos eles têm a mesma visão, hoje é a celebração dessa unidade", declarou o presidente da Fifa, Gianni Infantino, na abertura da reunião em Rabat.
- Difícil situação econômica -
"Juntos vencemos, o futebol é um esporte de equipe, o valor mais importante do futebol é o espírito de equipe", acrescentou sobre o apoio a Motsepe, que muitos consideram intervencionismo por parte da Fifa.
Durante seis meses, no segundo semestre de 2019, a tutela por parte da Fifa da CAF, com a presença na sede do Cairo da secretária-geral da federação mundial, a senegalesa Fatma Samoura, provocou a irritação de vários membros da confederação.
O anfitrião da assembleia geral, o presidente da Federação Marroquina Fouzi Lekjaa, quis "deixar claro de uma vez por todas que o destino do futebol africano está nas suas mãos, nos presidentes das federações".
"Todas as polêmicas em torno do relacionamento com a Fifa são estéreis. O diagnóstico é compartilhado, não encontramos problemas para fazer convergir os programas dos quatro candidatos. Temos que parar com esses desvios que atrapalham a nossa dinâmica e ir na direção da união, na companhia estreita e inteligente com a matriz, que é a Fifa", acrescentou.
Lekjaa, que também dirige a comissão de finanças, lembrou as dificuldades econômicas da CAF, "com um déficit de cerca de 10 milhões de dólares".
* AFP