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O Gre-Nal 426, marcado para 21h30min desta quarta-feira (5), na Arena, será impactante. Em 111 anos de história, será o primeiro sem torcida em Porto Alegre, o segundo de todos os tempos com arquibancadas vazias.
O clássico em meio à pandemia de covid-19 dará ao vencedor o título do segundo turno do Gauchão, chamado de Taça Francisco Novelletto, e a possibilidade de decidir com o Caxias a edição 2020 do Estadual. Se houver empate no tempo normal, pênaltis apontarão o classificado para a finalíssima, que até deve ter regra alterada e disputa em jogo único, no final de semana, e não mais em ida e volta.
Sendo assim, o clássico está acima do eterno debate entre taça e vaga, tão comuns no Rio Grande do Sul, dado que nenhum time gaúcho conseguiu vencer ainda o Brasileirão de pontos corridos. A cada final de ano, a classificação para a Libertadores, uma espécie de prêmio de consolação para quem não chegou em primeiro lugar gera argumentos e discussões sobre comemorar ou não algo que não seja ser campeão. Pois esse Gre-Nal vale taça (ok, vá lá, é só a do segundo turno, nem título direito é, mas não podemos perder a simbologia da situação) e vale vaga. O vencedor leva tudo.
Também será o último Gre-Nal do Estadual 2020. Nos outros dois, vitórias do Grêmio, ambas por 1 a 0, ambas na "casa" do Inter — ainda que a segunda delas, há duas semanas, tenha ocorrido no Estádio Centenário, em Caxias do Sul, já com portões fechados.
Mas ainda haverá, pelo menos, mais três clássicos nesta temporada, dois pelo Brasileirão e outro pela Libertadores. Os dois ainda poderão se encontrar outras vezes, pela mesma Libertadores ou pela Copa do Brasil.
E será mais um Gre-Nal para torcer de casa. Os clubes estão engajados em campanha de conscientização para manter o distanciamento social.
— Precisamos superar um inimigo invisível. Não faça aglomeração e use máscara — disse Bruno Fuchs, zagueiro do Inter, em vídeo postado nas redes do clube.
No Grêmio, a postagem foi institucional: "Fique em casa, assista ao jogo sem aglomerações e envie todo o teu alento para empurrar o time em campo".
A partida pode ser a de despedida de Everton, que tem negociação adiantada com o Benfica. Talvez a última chance para cravar seu nome na história dos clássicos, já que no último, errou um pênalti. Em 17 confrontos, um gol. Do outro lado, pode ser a redenção de Guerrero.
Goleador do Inter na temporada, campeão e autor do gol do título mundial com o Corinthians, capitão da seleção peruana que voltou a uma Copa do Mundo depois de 36 anos de ausência, o centroavante carrega o fardo de ainda não ter feito um gol sequer no maior clássico do Estado.
O desafio para Coudet, que ainda não venceu o Gre-Nal, é ganhar da zaga que ainda não perdeu jogando junta. O próprio treinador admitiu que esse cartel o incomoda. O técnico do Grêmio tenta aumentar seu próprio recorde, atualmente em oito clássicos invicto — a maior série tricolor sem ser derrotado pelos colorados é de 13 partidas, entre 1999 e 2002.
Portanto, o Gre-Nal vale marcas, recordes, sequências e tabus. Vale individual e coletivamente. Vale taça e vale vaga. Mas, acima de tudo, vale o Gre-Nal. O que é quase tão grande como marca, recorde, sequência, tabu, taça e vaga.