
Geralmente, as crianças têm uma conexão natural com a música. Basta tocar uma melodia animada para que elas comecem a bater palmas ou balançar o corpo no ritmo. Uma das razões para isso é que a música desperta emoções e estímulos que, especialmente na primeira infância, são grandes aliados do desenvolvimento, como explica o Dr. André Ceballos, neurocirurgião e especialista em desenvolvimento infantil.
“A música ajuda a desenvolver áreas do cérebro responsáveis pela fala, pela atenção e pela capacidade de resolver problemas. Além disso, ela favorece a memória, a coordenação motora e a inteligência emocional, já que ativa diversas regiões do cérebro simultaneamente”, afirma.
O médico também destaca que crianças que têm mais contato com a música tendem a desenvolver uma compreensão verbal mais apurada e um avanço linguístico mais rápido. Isso acontece, em parte, pelo tipo de canção que escutam. Por exemplo, quando as músicas estão na língua falada no país, as crianças aprendem mais rapidamente o vocabulário e as estruturas gramaticais dessa língua.
Importância de escolher o ritmo certo
Segundo o Dr. André Ceballos, a escolha do estilo musical pode influenciar as crianças. Para os bebês, ritmos suaves, como a música clássica, são ideais, pois ajudam a criar um ambiente tranquilo e estimulam o relaxamento. Para crianças em fase de desenvolvimento da linguagem, músicas com letras simples e educativas são a melhor opção, porque promovem o aprendizado de novas palavras, da fala e o reconhecimento de diferentes sons.
Além disso, os sons, de forma geral, reduzem o estresse e a ansiedade infantil, criando uma atmosfera de calma e segurança. Por outro lado, músicas com batidas mais animadas, como canções rítmicas ou dançantes, podem estimular o movimento, a criatividade e até incentivar a socialização entre as crianças, tornando o ambiente mais dinâmico e interativo.

Incluindo a música na rotina
A seguir, confira como incluir a música no dia a dia do seu filho para estimular o desenvolvimento!
1. Instrumentos musicais
É possível oferecer instrumentos musicais simples, como tambores, pandeiros, sinos, xilofones ou até mesmo objetos caseiros, como panelas e colheres, que podem ser usados como instrumentos improvisados. Isso permite que as crianças interajam com o som e a música, criando suas próprias melodias. Ao longo do dia ou durante uma brincadeira, é interessante incentivar os pequenos a tocarem os instrumentos e até mesmo participar dessa atividade de forma conjunta.
2. Criar uma playlist personalizada
É importante dar autonomia à criança, permitindo que ela escolha suas músicas favoritas. Os pais podem criar uma playlist personalizada, composta por músicas que a criança aprecia ou que são adequadas ao seu desenvolvimento emocional e cognitivo. Esses sons podem ser incorporados a momentos especiais, como durante o banho ou em atividades lúdicas.
3. Cantar juntos
Incentivar momentos de canto em família é uma ótima maneira de fortalecer os laços afetivos e estimular o desenvolvimento da linguagem e da expressão emocional. Criar um ambiente divertido, como um “karaokê” na sala de estar, pode ser uma experiência de aprendizado única para as crianças.
Por fim, o Dr. André Ceballos ressalta que os sons não precisam ser altos para gerar os benefícios desejados. É importante que os pais tenham cautela e ofereçam músicas adequadas ao momento e ao desenvolvimento da criança, evitando exageros no volume, principalmente em ambientes de calma ou relaxamento.
Por Alice Veloso