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Artimanhas de Scapino, que estreia nesta sexta, às 21h, no Theatro São Pedro é a terceira montagem da Cia Teatro ao Quadrado de um texto de Molière (1622 - 1673).
Com Escola de Mulheres, em 2004, e O Médico à Força, em 2008, o novo trabalho segue o padrão do grupo de encenar uma peça do autor francês a cada quatro anos. Nada intencional, segundo Marcelo Adams, que interpreta o papel-título.
- Acho que os astros conspiram para isso - gargalha, antes de um ensaio geral. - Mas, desde o início, a ideia era montar mais de um Molière. É um tipo de espetáculo bem recebido pelo público por se tratar de uma comédia, mas não uma comédia qualquer. Há uma qualidade na dramaturgia.
Com direção de Margarida Leoni Peixoto, a peça (em tradução de Carlos Drummond de Andrade) celebra os 10 anos da companhia, que tem se especializado na comédia em suas diferentes formas. A primeira produção foi A Secreta Obscenidade de Cada Dia, de Marco Antonio de la Parra, em 2002.
De maneira similar à montagem de Mães & Sogras (2010), de Leandro Sarmatz, Scapino terá a ação interpolada com seis canções que não estão no texto original e ajudam a contar a história. As letras foram escritas por Adams, com música de Marcos Chaves e coreografia de Larissa Sanguiné.
Ambientada em Nápoles, na Itália, a peça é a história de dois criados - Scapino e Silvestre (Marcelo Mertins) - que ajudam os jovens Leandro (Gustavo Susin) e Otávio (Vinícius Meneguzzi) a ficar com seus amores Zerbineta (Claudia Lewis) e Jacinta (Luísa Herter), contra a vontade dos pais dos rapazes, Gerôncio (Paulo Vicente) e Argante (Carlos Paixão).
Enquanto bola suas artimanhas, o matreiro Scapino aproveita para tentar obter alguns tostões dos avarentos patriarcas. O duelo entre gerações está no subtexto da comédia.
- Os jovens sempre triunfam sobre os velhos, esta é uma constante nas peças de Molière. É um padrão que vem desde Plauto (comediógrafo romano, c. 254 a.C. - 184 a.C.), o de que o futuro seria sempre melhor - comenta Adams.
O espetáculo fica em cartaz até domingo (veja detalhes na Agenda), no Theatro São Pedro, e volta de 6 a 29 de julho no Teatro Bruno Kiefer, na Casa de Cultura Mario Quintana.
Molière tem sido motivo de atenção na Capital nos últimos anos. O Grupo Farsa apresentou O Avarento, em 2009, e Tartufo, em 2011, ambos com direção de Gilberto Fonseca. São partes de uma trilogia que será encerrada com O Doente Imaginário, com previsão de estreia para 2013.
SERVIÇO
Artimanhas de Scapino
Theatro São Pedro (Praça Marechal Deodoro, s/nº), fone: (51) 3227-5100.
Sexta e sábado, às 21h. Domingo, às 18h.
Ingressos a R$ 20 (galerias), R$ 30 (camarote lateral), R$ 40 (camarote central e cadeira extra) e R$ 50 (plateia), à venda na bilheteria do teatro a partir das 13h. Desconto de 50% para titular do Clube do Assinante e acompanhante.