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Com quatro anos de atividade, a vai!ciadeteatro _ a grafia é assim mesmo _ busca pela primeira vez um olhar para o passado recente em uma mostra com os três espetáculos de seu repertório, com início hoje, às 21h, no Teatro Renascença, na Capital.
Estreada em 2011, a peça Cara a Tapa é a mais recente do grupo, que reúne uma nova geração do teatro gaúcho. Até 1º de julho, também serão reapresentadas Agora Eu Era (o primeiro trabalho, de 2009) e Parasitas (de 2010), todas em versões revistas.
O rótulo de "nova geração" não é invenção de jornalista. João Pedro Madureira, 26 anos, que assina a direção dos espetáculos, confirma:
_ Muitos jovens de outras gerações escolhiam trabalhar com grupos consagrados, não tinham a coragem de criar suas próprias companhias. Estamos em uma onda de atores e autores "multi", ou seja, que misturam teatro, performance, cinema, tudo ao mesmo tempo.
Exemplo disso é o projeto Sincronário, em que o grupo vai enveredar pela linguagem da performance. O coletivo, que também tem em seu núcleo principal Vinícius Meneguzzi e Laura Leão, foi escolhido, em fevereiro, para uma residência artística com a companhia Stravaganza, da diretora Adriane Mottola _ um intercâmbio dos jovens com um grupo que soma 20 anos a mais de experiência.
Madureira acredita que já é possível vislumbrar uma continuidade na trajetória da vai!ciadeteatro:
_ O grande tema trata das relações humanas e das dificuldades de as pessoas desenvolverem a individualidade na sociedade, de mostrarem quem realmente são. Quando criamos o grupo, partimos de uma ideia vaga, motivados mais pelo desejo de realizar nossos projetos do que de falar sobre um assunto. Mas, aos poucos, isso foi aparecendo.
Agora Eu Era conta a história de um rapaz homossexual em uma família repleta de aflições; Parasitas traz personagens que se relacionam entre si na medida em que necessitam preencher as próprias faltas; e Cara a Tapa mostra um casal em crise que olha para o passado.
O grupo tem se especializado em amealhar prêmios. A primeira peça foi escrita por Maria Luiza Sá e Madureira, irmã do diretor, e contou com financiamento do prêmio Myriam Muniz da Funarte. A segunda, do alemão Marius von Mayenburg, foi a proposta vencedora de um edital da Secretaria de Cultura de Porto Alegre e do Instituto Goethe da Capital, enquanto a mais recente _ com texto do gaúcho Tarcísio Lara Puiati _ ganhou o Prêmio Carlos Carvalho Auxílio-Montagem, também da Secretaria Municipal de Cultura, para encenação de peças laureadas anteriormente no Concurso Nacional de Dramaturgia Carlos Carvalho. Qual o segredo para ser um grupo vencedor?
_ O segredo é ter uma ideia de verdade e saber defendê-la _ simplifica o diretor.