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Comer uma caixa inteira de bombons ou sair abarrotada de sacolas de um shopping durante a TPM? Tais desatinos ocorrem porque os atos de comer e de gastar proporcionam prazer em momentos de crise. Para entender esse comportamento, a educadora financeira Eliana Bussinger encontrou uma maneira criativa de mostrar às mulheres como fechar a boca e a carteira. No recém-lançado A Dieta do Bolso (Editora Campus, 248 páginas, R$ 19,90 em média), ela conta, a partir da própria experiência, como o impulso pode ser um grande vilão - tanto para a saúde física quanto para a financeira.
- Gosto de ler sobre saúde e tenho facilidade para engordar. Logo, associei as situações pelas quais passamos com a comida àquelas que experimentamos com o dinheiro plica a autora. - Se não contamos as calorias, por exemplo, perdemos o controle da nossa alimentação e engordamos. Com o dinheiro, acontece a mesma coisa. Se nos descuidamos, pagamos a conta a juros exorbitantes. A tirania do futuro é uma coisa à qual, tanto para a saúde quanto para as finanças, devemos estar atentos. É preciso prevenir algumas situações porque, lá na frente, os excessos serão cobrados.
Eliana também defende um ponto de vista que deve torcer o nariz de muitos homens: as mulheres precisam, sim, de mais dinheiro do que eles. De acordo com a educadora, basta observar: elas têm carteira, bolsa, fazem a unha, o cabelo
- Seu marido não vai entender por que você precisa de um conjunto de colar e brinco ou por que precisa aplicar ácido retinoico no rosto - diz Eliana. - É muito complicado explicar para eles essas coisas. Além disso, se olharmos para o futuro, vivemos mais do que eles e, por isso mesmo, precisamos cuidar bem do nosso patrimônio.
Mulheres ainda ganham menos, mas gastam mais
Ao longo de 20 capítulos, amparados por dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e de diversas pesquisas, o livro mostra como o fato de a mulher ainda receber um salário inferior ao do homem está longe de ser página virada. Segundo a autora, enquanto essa discrepância não se extinguir mundialmente - "Acredito que deve levar, mais ou menos, quatro séculos", prevê a educadora financeira -, ensinar as mulheres a controlar o desejo de gastar aos tubos seria a solução. Principalmente quando se trata de uma relação historicamente nova.
- É complicado falar de dinheiro com a mulher porque há um descompasso histórico entre elas e os homens - garante. - A mulher ainda está aprendendo a ganhar dinheiro porque há poucas décadas começou a fazer parte do mercado de trabalho. Por essas e por outras razões, achei que tinha que falar sobre isso de uma maneira interessante e associei o conteúdo do livro a coisas que interessam às mulheres.
Na obra, Eliana mostra-se atenta à compreensão dos leitores ao derrubar fronteiras entre saúde e finanças e misturar "alhos com bugalhos" de forma balanceada. Ao longo das páginas, ela compara calorias com dívidas, dieta com gastos e pirâmide de alimentação com pirâmide de investimentos.
- No fim, a equação não é de outro mundo: se você come mais do que pode, engorda. Se gasta mais do que pode, endivida-se - ensina Eliana.
Simples assim.