
Em meio a muita discussão entre critérios, escolhas e influências na arbitragem no Brasileirão, a CBF apresentou uma surpresa inexplicável exatamente no jogo que valia a liderança do campeonato. Diferentemente de praticamente todos os outros jogos de toda a competição, o quarto árbitro de Inter x Flamengo não foi alguém do quadro da federação que sedia a partida.
O inexperiente catarinense Fernando Henrique de Medeiros Miranda foi o escalado no lugar que seria, por coerência da competição, de um gaúcho. O fato é inédito e não mereceu, até agora, nenhuma justificativa.
Miranda não teve nenhuma participação importante no jogo, apesar de se mostrar extremamente atrapalhado para operar o painel de substituições. A gravidade de sua presença em campo não está na sua capacidade ou na atuação, mas na quebra de critério.
Fica a dúvida de que a CBF considerou os árbitros gaúchos não confiáveis para um jogo tão importante, ou que houve alguma pressão para não ter alguém da Federação Gaúcha de Futebol entre as autoridades da partida.
A visita do presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, ao presidente da confederação, Rogério Caboclo, amplamente divulgada pela entidade, só serve para fomentar especulações, boatos ou até paranoias.
Recentemente, tivemos sinais claros de que pressionar a CBF pode dar resultado. A arbitragem brasileira ainda respira os ares da discussão grave em torno da troca de VAR no jogo entre São Paulo e Grêmio e a péssima atuação de Rafael Traci. Até agora, não foram liberados, e possivelmente nem venham a ser, os áudios com as conversas entre os juízes de campo e de vídeo naquela partida. Isto, aliás, nem é o mais importante. O que ficou daquilo e motivou o pedido de anulação do confronto pelos gremistas foi a mudança na escala a pedido do São Paulo.
Será muito importante verificar quem será o quarto árbitro para Grêmio x Bragantino, no próximo dia 2 de novembro, na Arena. Se for um gaúcho, ficará mais estranha a exceção cometida no Beira-Rio nesse domingo.
Caso seja alguém de outro Estado, estará escancarado que os juízes do Rio Grande do Sul estão muito desprestigiados pelo departamento da CBF, que tem um conterrâneo no comando. É caso até de pedido de esclarecimento por parte do sindicato da categoria no RS.