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Mais de 300 agentes de 12 instituições estaduais e federais de segurança pública se uniram nesta quinta-feira (15) para expurgar do território gaúcho alguns líderes do crime organizado. Como mostram os colegas Cid Martins e Bruna Viesseri, foi uma operação planejada desde maio, quando ocorreu a primeira grande onda de assassinatos na Região Metropolitana neste ano.
Estamos agora na segunda onda de homicídios, ainda maior do que a de maio, fruto de disputas territoriais e financeiras entre três facções. A resposta do aparato estatal não poderia ser outra. O exílio em outros Estados, longe da sua área de atuação, atemoriza bandidos, muitas vezes até mais que a própria morte. E as autoridades sabem disso.
Os expurgados são ligados a três facções envolvidas no banho de sangue em Porto Alegre: Manos (nascida no Vale do Sinos), V7 (do bairro Cruzeiro) e Bala na Cara (nascida no bairro Bom Jesus e a mais influente na Capital). Aproveitando o embalo, as autoridades mandaram também vários líderes da facção Os Abertos, não envolvidos na onda de homicídios, mas com grande abrangência na Região Metropolitana.
A escolha dos nomes acontece a partir de interceptações das ordens de ataque aos territórios, por parte dos chefes do crime. É a quarta fase da operação Império da Lei, que já mandou 47 criminosos para fora do Estado (se incluir a fase desencadeada nesta quinta-feira).