
A terceirização deveria ser a saída perfeita para as abaladas finanças dos municípios brasileiros. Ao invés de gastarem com folhas de pagamento inchadas, os prefeitos terceirizam a tarefa de gerenciar postos de saúde, hospitais e creches. A simbiose perfeita, fossem todos honestos e cumpridores dos deveres registrados nos contratos. Só que não.
A entidade que foi alvo de operação da Polícia Federal na manhã desta terça-feira (31) deixou um rastro de débitos e serviços não executados. Conforme mostrou o Grupo de Investigação da RBS (GDI), contratos firmados pelos dirigentes do Isev em pelo menos 15 prefeituras do Rio Grande do Sul e Santa Catarina estão sob suspeita. Em alguns casos o poder público aponta desvios de dinheiro. Em outros, mais simples, tarefas não concluídas.
A maioria absoluta envolve hospitais e postos de saúde, mas dentre os investigados pelo menos dois são contratos na área de educação. Sim, porque muitas terceirizadas costumam atuar de forma multidisciplinar. Em alguns casos, acumulam contratos que vão da limpeza e coleta de lixo a administração de escolas, passando por hospitais. Haja habilidade.
É corriqueiro também que verbas adiantadas para uma tarefa sejam transferidas para cobrir rombos financeiros de outros serviços, sem que o cidadão fique sabendo. Curioso é que as autoridades municipais também parecem demorar a perceber. Há casos em que, além da entidade que terceiriza, o prefeito é também investigado, por ter fechado os olhos às dívidas ou fraudes. Coisas de um Brasil pródigo em distribuir dinheiro da comunidade, sem a devida fiscalização.