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Mudaram várias coisas no relatório trimestral divulgado pelo Banco Central nesta sexta-feira. O anterior tinha sido apresentado - com otimismo - em abril e sempre traz a análise da autoridade monetária sobre economias regionais.
Nos últimos meses, a economia perdeu fôlego e tivemos a greve dos caminhoneiros. Somando ao cenário eleitoral, está feita a mudança nas projeções, por mais que o Banco Central tenha reduzido mais ainda as previsões feitas no documento e se restringido mais à compilação de indicadores.
Ao falar da Região Sul, o Banco Central já destacou o impacto negativo do Rio Grande do Sul na questão das finanças públicas. Citou o crescimento da dívida líquida, com o Estado respondendo por 73,2% do déficit consolidado regional.
"O setor público consolidado - os governos estaduais, das capitais e dos principais municípios - apresentou piora no resultado primário acumulado em doze meses até maio, em relação a 2017, com incremento de 128% no deficit da região. O resultado nominal deficitário, que inclui os fluxos primários e os juros nominais, ampliou-se, provocado, em especial, pelo agravamento da situação do Rio Grande do Sul, que respondeu por 73,2% do deficit consolidado regional. A dívida líquida cresceu 5,7%, para R$117,7 bilhões, aumentando a participação do Sul no endividamento nacional. De outra parte, a arrecadação real de ICMS, decorrente do maior dinamismo econômico, ampliou 4,7% em doze meses até maio, na comparação com igual período anterior."
O relatório ainda apontou a queda da produção da indústria e das vendas do comércio com a greve dos caminhoneiros, além dos indicadores de confiança dos empresários. Citou, no entanto, que houve geração de vagas de emprego e o mercado de crédito segue com expansão.
"O PIB do estado, após crescer 1,0% em 2017, contraiu 0,8% no primeiro trimestre de 2018, em relação a igual período do ano anterior, segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), repercutindo retrações na agropecuária e no setor de serviços. Dados mais recentes apontam recuo de 1,6% do IBCR-RS no trimestre encerrado em maio, ante trimestre anterior, quando crescera 0,5%, considerada a série isenta de influências sazonais. A despeito do efeito positivo decorrente da maior apropriação das safras de verão, a atividade econômica no trimestre foi afetada pela paralisação do setor de transportes de carga."