
Sem a utilização do VAR em todos os jogos, o Gauchão retoma a ideia do futebol raiz nos próximos meses. Depois de tantas competições com o uso da ferramenta, será necessário uma adaptação geral. Uma virada de chave que vai do torcedor aos próprios árbitros. E isso ficou provado na vitória por 1 a 0 do Inter contra o Juventude.
Não estou falando isso por conta de algum lance específico. Apenas ressalto que o jogo muda, o comportamento dos jogadores também, e a postura da arbitragem não poderá ser diferente.
Não acho que a pequena demora na anulação do gol do Juventude tenha tido resquício de um Brasileirão com VAR que terminou na quinta-feira passada. Acredito que ocorreu outro processo: houve meramente uma dúvida do assistente Jorge Eduardo Bernardi com relação à origem do lance.
Somente isso fez com que ele esperasse, de forma prudente, o desfecho da jogada para depois levantar a bandeira e conversar com o árbitro Douglas Silva. Bernardi sabia que Matheuzinho estava em posição de impedimento no momento do passe. Poderia ter levantado a bandeira de forma apressada e arriscar uma jogada clara de ataque.
Por isso, entendo que houve prudência. Ele esperou a finalização e ficou com a bandeira erguida para confirmar se o toque na defesa colorada caracterizava nova origem ou se configurava apenas como desvio.
Com o complemento da informação feito pelo árbitro, o gol da equipe da Serra foi corretamente anulado. Houve trabalho em equipe, que sempre pode ser ajustado, mas o mais importante é o acerto final.
A temporada que está começando colada na anterior não será cansativa apenas para os atletas. Tudo começa por um Gauchão que também será muito duro para a arbitragem.