
Eu até imaginava que isso aconteceria no começo do Gauchão. Talvez por isso não tenha dado tanta bola para o assunto logo que acabou a goleada por 4 a 1 do Grêmio sobre o Brasil-PEL. Estava errado. Foi somente agora que tive a certeza de que não posso deixar esse assunto passar batido por se tratar de um fato gritante da arbitragem.
E olha que não estou falando de qualquer erro cometido pelo árbitro Roger Goulart. Pelo contrário, talvez tenha sido a atuação impecável e segura do juiz que tenha ressaltado um aspecto que está martelando na minha cabeça desde a noite da quarta-feira (3).
O futebol virou outro esporte desde a chegada do VAR e não há apenas um culpado para isso.
O jogo da quarta-feira (3) na Arena do Grêmio teve pênalti bem marcado por conta do puxão de Héverton em Thaciano. Além disso, houve a expulsão correta de Ferreira. Não vou nem falar do gol de Guilherme Azevedo, que chegou a gerar alguma reclamação por impedimento da zaga do Brasil-Pel, pois a condição do jogador era legal pela linha da bola e também pela posição do defensor.
Tudo bem que tudo foi certo com a atuação do juiz e isso ajudou, mas preste muita atenção no que estou querendo dizer.
Tudo andou rápido na partida. Os jogadores se preocuparam em jogar. Eles respeitaram as decisões do juiz, não ficaram amarrando o jogo e também não reclamaram pedindo que TUDO (absolutamente tudo) fosse revisado fazendo o gesto do quadradinho com os dedos. Além disso, a arbitragem não usou o VAR como bengala porque não há o recurso no Gauchão para ser usado desta forma.
Não estou dizendo que o VAR é problema. Eu acredito que é a solução. Logo alguns erros inevitáveis provarão isso dentro do estadual. O que estou dizendo é que o ambiente do futebol ficou viciado no VAR.
Quando o jogo não tem VAR, o comportamento em campo é outro e talvez aí esteja o ponto crucial desta reflexão.
Se por um lado os árbitros precisam entrar em campo para apitar um jogo com VAR como se o recurso não estivesse disponível, por outro, os jogadores precisam esquecer essa chatice de protestar sobre tudo o tempo todo.
Isso é gritante! O jogo de futebol precisa encarar o VAR como um recurso invisível. Deixar o VAR quieto.
Jogadores devem jogar bola. Árbitros devem apitar. Bandeiras devem bandeirar. Treinadores devem orientar as equipes. Façam de conta que o árbitro de vídeo não está ali. Deixem que o recurso apareça apenas quando realmente for necessário.
Só assim vamos conseguir extrair o melhor do futebol e da tecnologia.