
Não existe coisa mais importante para a arbitragem do que acertar, principalmente em decisões que podem mudar a história de um jogo. Gols, pênaltis e expulsões são exemplos de situações que exigem atenção total da arbitragem.
Ter acertos nos lances que tem potencial de se tornar erros graves sempre foi o diferencial de um grande árbitro. Isso mudou um pouco com a chegada do VAR. Não estou falando que em algum momento um árbitro poderá ser considerado melhor do que outro por ter feito uma lambança. Não é isso.
A grande questão é que a chegada da tecnologia trouxe um novo elemento de análise que separa o grande árbitro dos demais. Falo sobre a capacidade de comandar, exercer autoridade e atuar com personalidade em campo.
O árbitro Rodrigo Dalonso Ferreira mostrou essas características na vitória por 2 a 0 do Inter contra o Ceará, nesta quinta-feira (10), no Beira-Rio, pela nona rodada do Brasileirão.
Houve outros jogos que percebi isso de quem estava apitando, mas aproveito para destacar esse em um momento que temos uma crise gerada pela terceirização do apito para a cabine do VAR.
O árbitro do futuro terá que conviver cada vez mais com o uso da tecnologia. Só que o grande árbitro do futuro é aquele que atua como se o VAR não estivesse ali. Ele sabe que o recurso pode salvá-lo, mas não se esconde atrás disso. O grande árbitro do futuro não terceiriza o apito. Ele assume o comando.
O jogo que o torcedor quer ver não é o que a câmera fecha o tempo todo no juiz com a mão no ouvido. É o jogo que flui. Não é o que para toda hora no tiro de meta porque há uma checagem de uma trombada aleatória dentro da área. É o que há a interpretação da trombada no campo e de forma convicta.
Quando algo anormal acontecer, o próprio contexto do jogo exigirá a checagem e até a revisão. Essa precisa ser a exceção. Não pode se tornar algo banal, pois isso indicaria que algo está errado dentro quatro linhas.
O VAR é maravilhoso. O futebol precisa do recurso. Só que a ajuda do monitor não pode acabar com a capacidade de diagnóstico que o árbitro precisa ter nas situações mais elementares dentro de campo.